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PIVIC UNIFSA: Pesquisadoras investigam o uso de plantas medicinais e fitoterápicos no autocuidado

Autocuidado são ações deliberadas tomadas com a finalidade de zelar pelo seu próprio bem-estar e saúde. É ensinado desde os primeiros anos de vida e acompanha todo o desenvolvimento humano, está presente em atividades essenciais como alimentação, higiene, lazer e até em circunstâncias mais específicas como cuidados terapêuticos. As plantas medicinais e seus derivados são constantemente usados com fins de autocuidado, seja no processo de prevenção ou no tratamento medicinal, de tal forma que esse recurso é considerado pelo Ministério da Saúde como uma prática integrativa e complementar no Serviço Único de Saúde (SUS). No entanto, nem sempre a utilização corresponde ao benefício esperado ou pode ser até mesmo estar sendo utilizada de maneira incorreta. Nesse sentido, a professora Dra. Alessandra Camillo da Silveira Castelo Branco e as estudantes do curso de Farmácia do Centro Universitário Santo Agostinho, Alice Bispo dos Santos e Hildelanne Soares de Barros, se preocuparam em investigar de que forma a população está fazendo uso das plantas medicinais e dos fitoterápicos.


As pesquisadoras do UNIFSA desenvolveram o trabalho “Pesquisa etnofarmacologica sobre o uso de plantas medicinais e fitoterápicos no autocuidado” no Programa Institucional Voluntário de Iniciação Científica (PIVIC). A pesquisa teve como objetivo analisar, através de um levantamento etnofarmacológico, a utilização de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos por moradores do Bairro São Pedro (Teresina-PI). A professora Alessandra Castelo Branco explica que “além de identificar as principais plantas e medicamentos fitoterápicos utilizados e a forma de utilização, também estudamos possíveis interações entre as plantas e os medicamentos alopáticos. Nós temos um projeto de extensão aqui na instituição que realiza um acompanhamento farmacoterapêutico com os moradores do bairro, então, de acordo com aquilo que vivenciamos nesses atendimentos, resolvemos complementar com uma pesquisa científica, pois identificamos muitos aspectos interessantes para serem analisados de maneira mais detalhada”.


As pesquisadoras explicam que foram visitados 185, dos quais 14 se recusaram a participar da entrevista e 15 estavam vazios, somando 156 domicílios entrevistados. Além da entrevista, foi passado também um questionário para determinação do perfil socioeconômico e sobre a utilização de plantas medicinais, medicamentos fitoterápicos e medicamentos convencionais para a identificação de possíveis interações medicamentosas. Os dados coletados nas questões abertas foram contabilizados na forma de gráficos e os dados das perguntas abertas foram agrupados com o auxílio de um software desenvolvido na linguagem Python, que relaciona termos comuns e recursos estáticos do Excel.


De acordo com os resultados alcançados, a estudante Alice Santos, pontua que um dado interessante é o de que a renda familiar influencia na utilização das plantas medicinais. “Foram muitos os relatos de que era melhor usar a planta do quintal de casa ou encontrada na vizinhança do que o remédio da farmácia, considerado de valor elevado. O baixo investimento financeiro e o fácil acesso são fundamentais para o uso das plantas. Também encontramos que o uso, em geral, é realizado por pessoas acima dos 40 anos, como indicativo de que a tradição está se perdendo, pois os mais jovens não dão importância ou não confiam na eficácia das plantas. As mulheres também são maioria no uso, no entanto, inicialmente imaginávamos que a diferença seria bem maior do que a encontrada com a análise dos dados”.


As pesquisadoras também encontraram uma porcentagem significativa de entrevistados com doenças crônicas como hipertensão e diabetes, então em geral o uso era realizado com a finalidade de controle dessas doenças. “Mas o conhecimento etnofarmacológico das plantas é limitado, pois boa parte dos entrevistados utilizava as plantas por conta própria, sem indicação médica, por influência dos costumes familiares ou conselho de amigos. Encontramos usos em desacordo com a literatura, com superdosagem até, pois eles têm a ideia de que por ser uma coisa “natural” não tem contra-indicação, mas tem sim”, explica Hildelanne Soares.


Os resultados da pesquisa destacam que é fundamental um acompanhamento adequado para uma utilização eficaz das plantas medicinais e dos medicamentos fitoterápicos. O conhecimento popular, que passa de gerações, deve estar aliado também ao conhecimento científico, produzido para apontar evidências confiáveis e um uso seguro. A figura do farmacêutico é primordial nesse processo, pois o mesmo é o elo de informações entre o paciente e a planta, podendo contribuir diretamente com o tratamento, prestando atenção farmacêutica, solucionando dúvidas, informando alguns possíveis efeitos colaterais ou até mesmo exercendo a prática da prescrição farmacêutica.


As pesquisadoras finalizam ressaltando que o levantamento sobre o conhecimento etnofarmacológico de plantas medicinais e fitoterápicos é de suma importância para o campo das ciências farmacêuticas, tendo em vista que há uma carência de mapeamento desses usos de acordo com as regiões do País. “É imprescindível conhecer o perfil dos usuários para montar estratégias de abordagem e acompanhamento, pois se trata da saúde pública. Através da pesquisa científica podemos avançar nesse reconhecimento das ações de autocuidado”, destaca a professora Alessandra. As estudantes complementam que além dos avanços para a área, elas também extraíram da experiência um amadurecimento profissional e pessoal para as decisões acerca dos caminhos profissionais a seguir.



 
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