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PIVIC UNIFSA: impermeabilização em construções de Teresina é tema de pesquisa

A impermeabilização é uma etapa muito importante no desenvolvimento de obras da Construção Civil. No entanto, através da observação do cotidiano do trabalho em obras, o técnico de edificações e agora Engenheiro Civil pelo Centro Universitário Santo Agostinho, Samuel Campelo Dias, e a professora Mestre Jaciara Carvalho de Sousa Oliveira perceberam que em muitas construções esta etapa acaba sendo negligenciada, seja por falta de conhecimento, planejamento prévio ou contenção a gastos. Os pesquisadores explicam que os problemas ocasionados em decorrência de um processo de impermeabilização inadequado são graves e têm se refletido em grandes prejuízos às construtoras e aos futuros proprietários dos imóveis.


Com o interesse em entender melhor essa questão em casos concretos, os pesquisadores se dedicaram a desenvolver uma pesquisa sobre as “principais causas das falhas de impermeabilização com uso de manta asfáltica em um condomínio na cidade de Teresina-PI: um estudo de caso” no Programa Institucional Voluntário de Iniciação Científica do UNIFSA (PIVIC). Os pesquisadores explicam que além de ocasionar infiltrações, podem surgir problemas ainda mais graves, conforme o processo de deterioração, que geram custos elevadíssimos de reparos e riscos desnecessários. “Se os donos dos empreendimentos não investem nesse ponto porque não têm interesse em aumentar o orçamento na obra ou não enxergam o retorno financeiro imediato, posteriormente o prejuízo é ainda maior. Em Teresina, local onde foi realizada a pesquisa de campo, levamos em consideração a particularidade que envolve as altas temperaturas,” explica a professora Jaciara.


Para a pesquisa de campo, a equipe selecionou um condomínio da Zona Leste da capital piauiense e acompanhou durante algumas semanas todo o processo de desenvolvimento da impermeabilização dos espaços para entender como funciona. “O que chamou a atenção na escolha do condomínio foi que ele tinha 20 apartamentos e seis apartamentos tiveram problemas, isso na cobertura onde tem uma área grande de 40 metros quadrados de impermeabilização. Foi feito esse levantamento para ver as principais razões desses problemas onde descrevemos as possíveis causas e soluções, que seria até interessante para que futuramente as construtoras pudessem consultar para evitar esse tipo de problema para outras obras”, disse a professora orientadora.


Um dos principais pontos encontrados foi o de que as construtoras não apresentavam projetos concretos em relação ao planejamento em impermeabilização, o que envolvia tanto a busca pela economia financeira na obra, adicionando o fato de não haver um profissional especializado voltado exclusivamente para esse aspecto. “Geralmente eles sabem como fazer, existe a norma técnica, os manuais, mas não têm um projeto adequado e organizado de ação para nortear e evitar que isso ocorra. Desde os materiais de boa qualidade, todas as providências recomendadas do projeto à execução, tudo isso precisa ser detalhadamente observado”, reforça o pesquisador Samuel Campelo.


Os pesquisadores explicam que a pesquisa de campo foi fundamental para construção de trabalho. Eles participaram ativamente das obras, com uma frequência regular de visitas, que aconteciam em dias alternados, a fim de observar a rotina de trabalho e sugerir as mudanças necessárias para evitar o problema detectado.  Eles desenvolveram uma espécie de pesquisa-ação, pois ao tempo em que fizeram a avaliação, também realizaram a intervenção na obra, com o intuito de resolver os problemas que já haviam sido relatados. “Percebemos que na execução dessa obra em particular, e por experiência em outras obras aqui em Teresina que utilizam a impermeabilização em concreto de manta asfáltica, não tem uma camada chamada de camada separadora. A impermeabilização parte de uma regularização de piso do concreto e depois vem com um material que você passa no concreto para dar aderência quando for aplicar a manta, que é o chamado prime, uma tinta preta para dar aderência. Depois que é colada a manta. Fora isso têm os ralos que fazem reforço, que é um ponto crítico onde é furado, têm as bordas”, explica o pesquisador.


A pesquisa utilizou uma ação experimental para resolução do problema, pois teve acompanhamento da retirada da impermeabilização antiga e a execução da nova, em comparação às normas vigentes. De acordo com a dupla de pesquisadores, as conclusões que chegaram é de que deve ser obrigatório o uso do projeto e das normas para oprocedimento.


Agora já formado e cursando Mestrado em Ciência e Engenharia dos Materiais na Universidade Federal do Piuaí, Samuel Campelo, reforça que ter participado do PIBIC abriu muitas portas para o seu interesse pela pesquisa cientifica. “A atuação profissional é importante, mas ter contato com a produção de conhecimento, pincipalmente nas áreas das Engenharias, ajuda a encontrar novas formas de solucionar problemas da sociedade e apresentar soluções que contribuem para o desenvolvimento social”. A professora complementa que um problema enfrentado nessa área de conhecimento é a ausência de interesse em produzir pesquisas acadêmicas. “Por ser uma atividade mais prática, forma-se uma cultura de mais ação e menos teoria, no entanto, sabemos o quanto é importante a pesquisa para fortalecer as novas tecnologias de materiais, técnicas e procedimentos. Tudo isso reflete em condições mais seguras de trabalho e de construções”, encerra.




 
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