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PIVIC UNIFSA: Pesquisa analisa veiculação de notícias sobre suicídio em portais do Piauí




De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo; dados de 2012 apontam que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Diante deste grave problema de saúde pública, a veiculação de notícias sobre tais casos é um tabu, dividindo opiniões de especialistas de diferentes áreas. Por ser um tema complexo, muitos meios de comunicação e profissionais de mídia evitam noticiar casos de suicídio acreditando que tal divulgação poderia contribuir para o aumento do número desses casos, fato este que levou o Ministério da Saúde a produzir um informativo direcionado a jornalistas, explicando melhores estratégias para divulgação das notícias a fim de evitar o efeito contágio.

Pensando nessa temática, a professora Ma. Patrícia Melo do Monte, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Santo Agostinho, desenvolveu a pesquisa “As notícias de suicídio nos sites jornalísticos do Piauí e as medidas de prevenção“, vinculada ao programa de iniciação científica e realizada em parceria com os discentes Renato França e  Elieide  Rodrigues.

A pesquisa teve como objetivo analisar a forma de veiculação de notícias sobre a temática, bem como identificar se havia um esforço no sentido de contribuir para a prevenção do suicídio. Conforme explica a professora Patrícia, a equipe buscou fundamentação teórica tanto em estudos da área de Psicologia como no Jornalismo: “A pesquisa trata de notícias sobre suicídio na mídia eletrônica do Piauí. Já estamos há um tempo estudando sobre suicídio nas disciplinas, nos projetos de extensão. Além de fazer uma interpretação com fundamentação psicológica, a gente teve que estudar um pouco de jornalismo e linguagem. No geral, as notícias analisadas têm caráter informativo, mas não educativo ou voltado para a prevenção e compromisso com a saúde”, conta.

Os pesquisadores analisaram matérias sobre suicídio, veiculadas em portais de notícias de Teresina no período de 2011 a 2018, como explica o bolsista Renato França:  “Recolhemos  informações nos sites, do G1, GP1, Cidade Verde, Meio Norte e Portal O Dia. Começamos com o período de 2012 a 2015, mas não obtivemos uma quantidade significativa de material, então, com a anuência do Comitê de Ética, nós aumentamos o período de análise. Nossos resultados apontam para um silenciamento acerca dos métodos de prevenção nas matérias”, diz o estudante.

Para a aluna Elieide Rodrigues, que colaborou na produção da pesquisa, as notícias analisadas contradiziam o Código de Ética do Jornalista, que condena a divulgação de informações de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos: “Muitas matérias deixavam bem exposta a imagem da pessoa, da família, contavam detalhes dos procedimentos, muitas vezes com fotos”. A professora Patrícia ressalta que a escolha das fontes também contribuía para  a abordagem antiética da temática: “O que mais aparece é depoimento de policial e ele traz uma visão bem específica, da área dele, da cena. Também tem depoimentos de vizinhos ou pessoas não tem vínculo, que não tem o cuidado com a pessoa que cometeu o suicídio. A gente vê muito o depoimento dos vizinhos atribuindo a causa a um familiar não identificado. Isso vai para a notícia como uma verdade”, explica a professora.

Entre os resultados obtidos, os pesquisadores apontam para um silenciamento das medidas de prevenção do suicídio, além do desrespeito em muitos casos. Para professora, o principal problema encontrado fiz respeito a reduzir o fenômeno do suicídio, abordando-o como “uma coisa simplista, linear. Como se o suicídio estivesse vinculado a um fator, sem considerar sua complexidade. Sabemos a importância da mídia para muitas questões da saúde e seu potencial para a prevenção ao suicídio”, conclui.



 
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