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PIBIC UNIFSA: pesquisadores realizam mapeamento do processo de simbiose industrial

A preocupação com o grande volume de lixo produzido no mundo vem sendo debatida há algumas décadas em órgãos e instituições das esferas nacional e internacional, em razão dos problemas ambientais já vivenciados e os que se agravarão em um futuro próximo. Faz-se urgente ampliar a consciência coletiva de preservação ao meio ambiente em todos os setores da nossa sociedade, sobretudo, no setor industrial, um dos maiores produtores de resíduos. Nesse sentido, a complexidade das atuais demandas ambientais, sociais e econômicas exige um novo posicionamento e a adoção de medidas estratégicas, uma delas pode ser definida como simbiose industrial, um processo que objetiva fazer uma espécie de “troca de recursos”. Ou seja, os resíduos que sobram na produção de uma empresa e não têm mais utilidade nesse local podem ser reutilizados por outras empresas, como uma forma de minimizar o problema do descarte dos materiais e evitar que eles sejam descartados em locais incorretos. Pensando nessa saída sustentável, a profa. Ma. Eldelita Águida Porfírio Franco e os alunos do curso de Engenharia de Produção do Centro universitário Santo Agostinho, Ney Victor Silva Miranda e Evanielle Barbosa Ferreira, realizaram, um mapeamento dessa prática por meio do fluxo de material.


A pesquisa intitulada de “Mapeamento da simbiose industrial  a partir da análise de fluxo de materiais” foi realizada no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Os pesquisadores explicam que o tema surgiu a partir da pesquisa de mestrado do professor do UNIFSA, Luis Henrique Souza, que realizou o trabalho “Rumo à Ecologia Industrial: um estudo da simbiose em indústrias de Teresina” apresentado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI). “Desde quando tivemos contato com os estudos do professor, nos interessamos pelo tema. Então pensamos em estudá-lo, mas mais voltado para a indústria gráfica. Compreendemos a simbiose industrial como um permuta de subprodutos de diferentes processos produtivos visando evitar a utilização de uma nova matéria-prima, para assim reduzir a geração de resíduos. Mas além dos resíduos, as trocas podem envolver informação e energia”, explica a estudante Evanielle Barbosa.


Partindo do pressuposto de que o que é resíduo descartável para a uma empresa, pode ser considerado material produtivo para outra, os pesquisadores realizaram visitas técnicas em algumas indústrias gráficas da região para analisar a viabilidade da implementação do processo de simbiose. Previamente, os pesquisadores identificaram a viabilidade, uma vez que existe um grande número de empresas do ramo. No entanto, quando foram para os estudos de trabalhos científicos acerca do tema, encontraram poucas publicações. “Quando colocamos a delimitação do tema, que é a simbiose industrial relacionada ao mapeamento do fluxo de materiais nas bases de dados, quase não encontramos trabalhos. Há uma carência nessa correlação, o que nos deu mais estímulo para produzi-lo. Nas nossas visitas também consultamos os dados das empresas sobre os processos sobre o fluxo de materiais. Ao tota, visitamos três empresas gráficas de Teresina, analisamos os processos delas e mapeamos todos os materiais que saiam desses processos que poderiam ser utilizados em outras empresas”, detalha Ney Victor Silva.


A pesquisa de campo iniciou com a observação de cada etapa da produção, identificando quais as principais entradas e saídas do que é consumido em determinado processo e o que sobra de resíduos e de produtos e que, eventualmente, poderia servir para outra empresa. OS pesquisadores também realizaram o cálculo do volume de sobras e como essas sobras poderiam ser usadas ou adaptadas para serem aproveitadas até mesmo como matéria-prima. Também foi realizado estudo da forma de descarte mais apropriada para o material residual que não tem viabilidade de reutilização. “Com o desenvolver das observações nas empresas e os materiais que saiam da cadeia produtiva, fizemos algumas observações, por exemplo: a tinta usada nas gráficas tem um odor muito forte isso poderia ser mudado só pela troca do tipo de material, usando uma tinta de origem vegetal. Além disso, a água que é utilizada no processo poderia ser reutilizada evitando o desperdício nesses processos que são simples. Têm muita sobra de cartolinas, papéis e não há um descarte adequado para esses materiais, então além da possibilidade da troca simbiótica, pontuamos a melhor destinação do resíduo”, exemplifica a estudante pesquisadora.


A professora Eldelita Águida explica que a simbiose industrial não é um tema muito divulgado no estado do Piauí e que as poucas indústrias que realizam essa prática, fazem de maneira instintiva, sem ao menos saber que estão fazendo. Outra dificuldade apontada diz respeito à dificuldade de compreensão do tema pelos próprios empresários. “Aqui no UNIFSA temos um trabalho de TCC sobre esse tema, tratando da produção limpa, sustentável, com relação à reutilização da borracha, mas ainda não termos muita coisa a esse respeito. E hoje em dia a preocupação com o desenvolvimento sustentável deve ser premente nas empresas, então qualquer ação de reaproveitamento que minimize a poluição e a produção de recursos, já é um ganho e que impacta positivamente na imagem institucional também. Dentro da Engenharia de Produção a principal filosofia é trabalhar o mais com o menos, trazer para dentro do processo produtivo uma produção viável economicamente, ambientalmente e socialmente viável”, pontua.


Os pesquisadores relatam que um dos principais objetivos do trabalho é o de ampla divulgação dos resultados, não somente para o ambiente acadêmico, mas principalmente para a sociedade em geral, por acreditarem que essas alternativas e soluções simples são de grande importância para o futuro do planeta. O trabalho será apresentado no Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP), que acontecerá em Santos-SP e em breve será submetido para a aprovação na Revista Científica da Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Os pesquisadores também pensam em um desdobramento da pesquisa, que seria a intervenção nas empresas analisadas e a implantação das proposições identificadas nas análises. Os estudantes participantes finalizam falando sobre a experiência de aprendizado que tiveram durante todo o processo de pesquisa. “Aprendemos muito sobre cada etapa, fazer pesquisa não é fácil, mas é muito fundamental para a nossa área”, relata Evanielle Barbosa.



 
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