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PIBIC UNIFSA: pesquisadores estudam as atividades do óleo essencial de Dysphania ambrosioides I

Dysphania ambrosioides I (DA-EO) é uma espécie de planta com flor pertencente à família Amaranthaceae, popularmente conhecida como erva-de-santa-maria ou mastruz. As propriedades da planta relacionadas à cicatrização são de uso conhecido em várias regiões do Brasil – fato que chamou atenção do professor Dr. Joubert Aires de Sousa e do estudante de Farmácia do Centro Universitário Santo Agostinho, José Virgulino de Oliveira Lima, para estudar o poder cicatrizante da planta também a nível gástrico e estomacal. Com o projeto de pesquisa aprovado no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do UNIFSA, os pesquisadores realizaram um “Estudo da possível atividade do óleo essencial de Dysphania ambrosioides I na motilidade e secreção do trato gastrointestinal de Mus muscullus”.


A pesquisa foi realizada em camundongos (Mus musculus), pequeno roedor da família dos murídeos e só foi iniciada após a aprovação pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) do UNIFSA. Foram feitos quatro protocolos, dois para avaliar os efeitos no estômago e dois para avaliar os efeitos no intestino. José Virgulino explica que os protocolos tiveram objetivos distintos. “Os intestinais avaliaram a motilidade, tanto em relação ao trânsito intestinal normal, quanto à diarreia induzida por óleo de mamona. Já os estomacais avaliaram os efeitos gastroprotetores, de acordo com a secreção gástrica, na úlcera induzida por etanol e na úlcera induzida por indometacina. Nós procuramos investigar como o matruz reagiria para proteger esses dois fatores agressivos no estômago”, pontua.


De acordo com o professor Joubert Aires, a investigação do trânsito intestinal normal foi realizada através do deslocamento de carvão ativado no intestino, fazendo a comparação dos animais que ingeriram via oral DA-EO, água destilada e loperamida. Da mesma forma a da diarreia provocada por óleo de mamona, que foi avaliada pela quantidade de fezes produzidas. “Como resultado o DA-EO demonstrou uma diminuição significativa na motilidade intestinal em camundongos normais, atestando assim seu efeito antimotilidade através da sua redução no peristaltismo. Em consonância ao trânsito intestinal, o pré-tratamento com o DA-EO promoveu inibição significativa do processo diarreico induzido pelo óleo de mamona, mostrando seu potencial efeito antidiarreico em relação ao grupo controle negativo e pouca diferença de inibição em relação ao tratamento com loperamida. Mas vale a pena ressaltar que se trata de uma diarreia induzida, em geral, essa doença têm vários sinais clínicos e não é causada apenas em função da desregulação da motilidade”, reforça.


Os outros protocolos de testes envolveram os efeitos gástricos. Com a lesão provocada por indometacina em camundongos, o grupo cimetidina e indometacina demonstrou uma diminuição nas lesões ulcerativas, assim como o tratamento com DA-EO apresentou uma redução significativa de lesões gástricas em relação ao controle positivo, atestando seu efeito gastroprotetor. Já na úlcera induzida por etanol, o grupo controle negativo com água destilada positivo (água destilada + etanol) apresentou um alto grau percentual significante na contagem de pixels. Contudo, o grupo etanol + cimetidina e o grupo etanol + DA-EO conseguiram atenuar significantemente as lesões causadas pelo etanol.


Conforme os resultados encontrados pelos pesquisadores, o pré-tratamento oral com o óleo da Dysphania ambrosioides l conseguiu reduzir o peristaltismo do carvão ativado e promover inibição dos eventos diarreicos promovidos pelo agente laxante a nível intestinal, assim como diminuição do grau de lesões ulcerativas a nível estomacal, provocadas por etanol e indometacina. Esses resultados apontam uma atividade via mecanismos oxidantes e prostaglandinérgicos causadores das lesões gástricas, respectivamente.


O professor Joubert explica que embora os resultados sejam conclusivos, ainda carece de estudos toxicológicos para elucidação dos possíveis efeitos adversos da planta.“Após novas pesquisas, fazendo o controle correto de possíveis efeitos colaterais, podemos pensar até mesmo em um novo fitoterápico”. Esse projeto de pesquisa já rendeu bons frutos para José Virgulino, que, ano passado, foi selecionado para participar do XXIV Curso de Inverno de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo por meio do envio e aprovação do projeto. 


 


 


 


 


 
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