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PIBIC UNIFSA: Pesquisadores estudam a adesão ao tratamento para Artrite Reumatóide

A artrite reumatóide (AR) é uma doença auto-imune de etiologia desconhecida e que afeta as membranas do tecido conjuntivo de várias articulações (mãos, punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos, pés, ombros, coluna cervical) e órgãos internos, como pulmões, coração e rins dos sujeitos geneticamente predispostos. Essa doença inflamatória crônica pode ser caracterizada, conforme seu avanço, por deformidades e destruição das articulações em virtude de erosões ósseas e da cartilagem que, além de causarem intensa dor, podem comprometer os movimentos. Em geral, atinge mais mulheres do que homens e sua prevalência aumenta com a idade.


O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para controlar o avanço da doença, para combater o comprometimento das atividades motoras e lesões irreversíveis e também para a diminuição da dor. Portanto, deveria ser parte essencial da rotina das pessoas que são acometidas por essa patologia. Com a intenção de avaliar qual o nível de adesão do paciente ao tratamento e como esse nível impacta na qualidade de vida, os pesquisadores, o Prof. Me. Bernado Melo Neto e as estudantes de Farmácia do Centro Universitário Santo Agostinho Geovana Rodrigues de Oliveira e Rafaela Alves de Araújo, realizaram uma pesquisa dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do UNIFSA.


Os pesquisadores explicam que o interesse em pesquisar pacientes com artrite reumatóide surgiu por se tratar de uma doença crônica e que afeta diretamente o bem-estar físico e psicológico daqueles que são acometidos. Outro fator levado em consideração na escolha do tema se relaciona ao alto custo do tratamento, que pode ser feito no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica de Teresina, local em que foi realizada a pesquisa. “É um tratamento que custa um valor elevado e que pode ser realizado na rede pública de saúde, então os pacientes que não aderem corretamente ao tratamento, além de complicarem sua qualidade de vida, também representam um dispêndio financeiro”, explica a estudante Geovana Oliveira.


A pesquisa foi realizada por meio de questionário, respondido por mais de 100 pacientes com artrite reumatóide atendidos no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica de Teresina. No questionário continham perguntas para levantamento sociodemográfico, além questões sobre a rotina de cuidados, assiduidade de consultas, ingestão correta dos fármacos e também uma escala para medir a qualidade de vida, relacionando ao correto uso dos medicamentos. As respostas obtidas foram calculadas e relacionadas estatisticamente por meio do programa SPSS. De acordo com os pesquisadores, os resultados alcançados foram semelhantes a pesquisas similares da área, nas pesquisas bibliográficas que serviram de base para montar o referencial teórico e a metodologia da pesquisa. De forma geral, os resultados apontaram para o maior número de mulheres aderindo ao tratamento e com uma relação direta ao aumento da qualidade de vida.


O professor Bernardo Melo explica que todo o processo foi muito importante, porque além da pesquisa, a estudante pesquisadora também teve contato com a realidade de um local de atuação do farmacêutico. “Além de aprender a realizar e formatar uma pesquisa, ela pegou um pouquinho da área da farmácia que nós estamos vendo crescer muito, que é a farmácia clínica, e como a interação do farmacêutico com o paciente é importante para um tratamento satisfatório. A atividade profissional envolve tanto a questão mais técnica da dispensação do medicamento, como a orientação ao paciente e também a preocupação em como o tratamento está influenciando na sua qualidade de vida”.  Para Geovana, a iniciação cientifica, foi interessante para conseguir verificar algumas dificuldades que os pacientes encontravam e, a partir daí, traçar estratégias e medidas para evitar a não adesão ao tratamento. “Ao fim da pesquisa, tenho outra visão, aprendi muita coisa, foi um amadurecimento como pesquisadora e também como profissional, como disse o professor. Atualmente, tenho o plano de curso mestrado em Ciências Farmacêuticas no Programa da Universidade Federal do Piauí”.



 
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