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PIBIC UNIFSA: Pesquisadores avaliam os processos subjetivos de professores universitários sobre o fenômeno do suicídio




A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que, nos últimos anos, o suicídio, principalmente, entre os jovens, tem crescido de maneira significativa. O fenômeno é complexo e o enfrentamento requer, necessariamente, a ressignificação de concepções que circulam na subjetividade social, em geral, atravessadas por visões moralizantes sobre a temática. Tendo em vista que o suicídio representa a segunda principal causa de morte entre jovens e que estes são potencialmente frequentadores do Ensino Superior, o professor Carlos Eduardo Gonçalves Leal e os alunos do curso de Psicologia do Centro Universitário Santo Agostinho, Paulo Natanael Sousa Sales e Mateus Raimundo de Carvalho, resolveram realizar uma pesquisa para compreender os processos subjetivos de professores universitários acerca deste fenômeno.



Os pesquisadores explicam que a ideia surgiu em virtude dos altos índices de suicídio entre jovens e que, embora com números tão preocupantes, identificaram haver uma lacuna nos estudos que situam os aspectos desse fenômeno no cenário do Ensino Superior. Eles também pontuam que é relevante compreender como o professor, enquanto agente importante para a promoção de saúde no ambiente acadêmico, subjetiva a temática do suicídio. “Nós partimos do objetivo principal de avaliar as concepções dos professores acerca do fenômeno do suicídio, como eles dão sentido a esse tema, quais suas visões, se mais naturalizantes, preconceituosas ou se apresentam mais sensibilidade em relação ao assunto. Também analisamos se há algum aspecto da formação docente que contribui para os processos subjetivos sobre suicídio e se na perspectiva institucional há algum apoio”, esclarece Mateus Carvalho.



Foi realizada uma pesquisa qualitativa, do tipo explicativa, na forma de estudo de caso, que obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do UNIFSA. A investigação ocorreu em uma instituição privada de Ensino Superior, localizada em Teresina, Piauí e contou com a participação de 5 professores. “Os professores foram selecionados seguindo alguns critérios de inclusão, como ter mestrado ou doutorado, pelo menos 5 anos de experiência na docência superior, vínculo institucional de pelo menos dois anos e não ter formação na área de Psicologia. Nós trabalhamos com o aporte teórico da Teoria da Subjetividade, por entender que esse aporte nos permitiria abarcar o fenômeno em sua complexidade. Utilizamos conversações, entrevistas, escritos e a análise se deu a partir da construção de informações com base nos indicadores gerados”, explica Paulo Sales.



Os pesquisadores ressaltam que os processos subjetivos obtidos na avaliação apontam que as concepções dos professores acerca do suicídio trazem as vivências e crenças pessoais e que carecem de uma dimensão mais analítica e técnica. De acordo com Paulo: “Foi identificado que há uma grande implicação emocional. Eles entendem que a temática do suicídio é muito complexa, o que gera muitas dúvidas, demonstrando a insegurança que decorre da fragilidade da formação. No entanto, mesmo com uma formação insuficiente que os capacite a lidar com o tema em sala de aula, os professores não apresentaram visões moralizantes”.



 “De alguma forma, os resultados nos sinalizam para a importância de ações de formação continuada voltadas aos professores, abordando a questão da saúde mental no contexto universitário. Nossa pesquisa evidenciou a fragilidade no processo formativo, embora, de maneira geral, tenhamos percebido professores engajados e refletindo sobre a temática, processo endossado por certa abertura institucional”, esclarece o professor Carlos Eduardo.  Ele complementa que este trabalho é muito pertinente, sobretudo porque as Políticas Públicas ainda são muito limitadas no que diz respeito às ações de prevenção ao suicídio e valorização da vida que em geral estão associadas somente com o âmbito da saúde, esquecendo o suporte essencial da educação no enfrentamento. “A prevenção ao suicídio envolve necessariamente a coletivização de práticas, envolve a intersetorialidade, o diálogo entre diferentes políticas publicas. Se promove saúde também na Universidade, no Ensino Superior. Se previne o suicídio também nesse contexto”, finaliza.



 
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