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PIBIC UNIFSA: Pesquisadores analisam a sistematização da Assistência de Enfermagem ao recém-nascido




A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é regulamentada no Brasil como um método que organiza o trabalho profissional, estruturando os cuidados, conforme os princípios apregoados pelo método científico. A SAE tem como objetivo identificar as situações de doença e os cuidados correspondentes, por meio da coleta de dados, diagnóstico de Enfermagem, planejamento, implementação e avaliação. Essa metodologia foi adotada pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) por proporcionar mais segurança aos pacientes, melhoria na assistência e mais autonomia aos profissionais da Enfermagem.

Tomando por base as especificidades da demanda dos recém-nascidos pré-termos e abaixo do peso na SAE, a professora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Santo Agostinho, Ma. Maria Enoia Dantas da Costa e Silva e os alunos Gilsara Leite de Araújo e Walicy Cosse Silva realizaram pesquisa para descrever a percepção da equipe de Enfermagem sobre esse atendimento, quais as dificuldades e como estas podem comprometer a qualidade do cuidado com o recém-nascido.

Segundo explica a professora Enoia, a pesquisa teve como objetivo possibilitar a compreensão acerca das dificuldades na assistência de Enfermagem, considerando o fato de que tais recém-nascidos necessitam de cuidados especializados para sua plena recuperação: “Embora a resolução já tenha sido implantada e tenha fiscalização, essa sistematização ainda não acontece. Os serviços de Enfermagem e a assistência prestada estão sendo desenvolvidos de forma casuística”, comenta a docente. Enoia ressalta ainda alguns questionamentos levantados pela equipe: “A gente parte de alguns questionamentos acerca das dificuldades para o atendimento sistematizado aos bebês pré-termos e abaixo do peso: Os enfermeiros sabem dos dispositivos da assistência? Tem conhecimento? São qualificados? Dispõe de instrumentos, como por exemplo, ficha de coleta de dados, classificação de diagnósticos de Enfermagem? Por que a coisa não acontece, é por sobrecarga de serviço, acúmulo de funções? Desinteresse?”, indaga.

A pesquisa foi realizada em uma maternidade de referência do Estado do Piauí, situada na zona sul da capital, responsável por 63% dos nascimentos ocorridos na cidade. A população do estudo foi composta por 20 profissionais de Enfermagem que prestam cuidados ao recém-nascido pré-termo e de baixo peso. Para a coleta de dados utilizou-se um roteiro de entrevista semi-estruturado, organizado de forma a fazer o levantamento de dados. A pesquisa obedeceu todas as recomendações advindas da Resolução nº 466 de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, no que diz respeito aos princípios de autonomia, beneficência, não maleficência, justiça e equidade.

De acordo com a aluna Gilsara Leite, o resultado da pesquisa aponta para algumas dificuldades como a falta de compreensão da importância do SAE pela equipe de Enfermagem, além do despreparo e desconhecimento do uso dos instrumentos, o que prejudica sua aplicação prática na assistência aos recém-nascidos. “Os instrumentos e recursos foram implementados na maternidade estudada, mas não são utilizados da forma que o COFEN preconiza. Outro ponto que encontramos nas entrevistas está relacionado à sobrecarga de trabalho como outra dificuldade”, explica.

Os pesquisadores destacam a relevância do trabalho desenvolvido, pois os recém-nascidos pré-termos e abaixo do peso necessitam de uma assistência qualificada e sistematizada para que eles possam se desenvolver e conseguir alta em um momento crucial. “Se a assistência é sistematizada, diminui os riscos do bebê não ser atendido porque está prescrito pelo profissional o que deve ser feito em cada intervalo de tempo, tudo estará registrado. O enfermeiro, na função de avaliação, na consulta ambulatório, tem que descrever, avaliar. E com esse estudo nós trazemos mais uma evidência da importância da SAE. Nossos resultados ajudam a avaliar os serviços, sugerir melhorias, novas estratégias, o que contribui com a redução de riscos”, finaliza a professora Enoia.



 
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