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PIBIC UNIFSA: Pesquisadoras analisam as representações sociais sobre mulheres vítimas de abuso sexual




De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a violência sexual é “qualquer ato sexual ou tentativa de obter ato sexual, investidas ou comentários sexuais indesejáveis, ou tráfico ou qualquer outra forma, contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção”; o Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou, em 2015, um caso de estupro a cada 11 minutos no Brasil, uma realidade que chamou a atenção de pesquisadoras do Centro Universitário Santo Agostinho.

Foi pensando nessa problemática da violência sexual e na sua representação social que a professora Ma. Juliana Soares, docente do curso de Psicologia do UNIFSA, desenvolveu, em parceria com as estudantes Maria Clara Dantas e Lay Dayanne de Lima a pesquisa “As representações sociais sobre a mulher vítima de abuso sexual”, vinculada ao programa de iniciação científica da instituição.

Com estudos na área de representações sociais, a professora Juliana afirma que a escolha da temática se deu em função do aumento dos casos de violência sexual contra mulheres e da repercussão que tais casos têm obtido: “Esse é tema e uma vivência que são frequentes. Então, pensando nas representações sociais, qual é o olhar que a sociedade tem a respeito disso?”, indaga a docente.



A equipe teve como objetivo analisar a culpabilização da mulher que passa por uma experiência de abuso sexual. Para isso, foram entrevistados 50 universitários, com faixa etária de 18 a 30 anos. Como explica a aluna Maria Clara, as pesquisadoras optaram por excluir estudantes de cursos de Direito, Psicologia e Serviço Social: “Nós excluímos esses estudantes por acreditarmos que alunos desses cursos têm conhecimento prévio sobre a temática”, diz.

Por meio de entrevista estruturada e de estudo sócio-demográfico, a equipe identificou três categorias principais de análise: Causas que levam ao abuso, atitudes dos entrevistados em relação à mulher vítima de abuso sexual, as consequências do abuso para as vítimas. Maria Clara chama atenção para a culpabilização das vítimas e para a não responsabilização dos abusadores pela violência: “99 vezes o termo transtorno mental aparece como uma causa para o abuso. Nós percebemos que não se culpabiliza o abusador. Quando se diz que ele tem algum transtorno sexual ou mental se está isentando ele da culpa, não responsabilizando pelo ato”, explica a estudante.

Para a professora Juliana Gomes, a pesquisa deixa clara a divisão entre as representações sociais das causas do abuso tanto para o abusador, quanto para a vítima: “As causas, quando vem do abusador são sempre no intuito de isentá-lo da responsabilidade, e no caso da vítima, ela sai desse lugar de vítima e passa a ser culpada pela violência, que só teria ocorrido por causa da maneira como ela se veste, como ela se comporta, por onde ela anda, ou seja, ela provocou. Essa vertente foi a mais marcante da nossa pesquisa”, comenta. Segundo explica Lay Dayanne, um dos objetivos do trabalho foi também desmistificar algumas questões e preconceitos em relação à temática do abuso sexual: “Eu acho isso importante para gente tentar conhecer esse tema e levar isso para outras pessoas. Não é a mulher que é culpada, mas sim o abusador”.

Juliana destaca ainda a função social da pesquisa realizada: “Eu tenho um apreço por essa pesquisa, pois, como a Lay Dayanne colocou, eu senti aqui uma função social, de desmistificar, de trazer à tona essa discussão que fica tão velada, cheia de tabus, de culpabilização da mulher, da vítima. Para mim, essa pesquisa tem uma função social muito grande, pois aos poucos a gente vai poder mudar essa visão a respeito da violência contra a mulher”, finaliza.



 
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