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PIBIC UNIFSA: Pesquisa investiga o trabalho pedagógico com crianças com Transtorno do Espectro Autista




Desde que foi instituída em julho de 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, visa promover e garantir o exercício dos direitos fundamentais do indivíduo com deficiência, dentre os quais está o acesso à educação. Nesse contexto, a inclusão escolar e as estratégias de ensino para indivíduos com necessidades específicas passam a ser debatidas em sociedade.

Foi considerando este contexto que a professora Ma. Patrícia Melo do Monte, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Santo Agostinho realizou a pesquisa “Trabalho pedagógico e habilidades sociais de crianças com transtorno do espectro autista (TEA)”, desenvolvida no programa de iniciação científica da instituição em parceria com a aluna Ana Luiza Cavalcanti Bezerra. O estudo teve como objetivo investigar como o trabalho pedagógico desenvolvido por professores da rede de ensino regular pode influenciar no desenvolvimento do repertório socialmente habilidoso da criança com transtorno do espectro autista.

De acordo com as pesquisadoras, diante do crescente número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista – TEA, associado às diretrizes da legislação brasileira sobre a inclusão, as escolas, como importantes agências de socialização, passam a enfrentar um desafio, visto que seus profissionais muitas vezes não foram preparados para o trabalho pedagógico inclusivo. “Os casos de autismo só crescem e a gente ainda percebe uma distância muito grande das universidades e uma falta de preocupação com a formação dos profissionais. A gente já tem essa preocupação na Psicologia e fica pensando como isso chega para a Pedagogia ou para as licenciaturas. Nosso trabalho teve o objetivo de despertar nos educadores e gestores os prejuízos dessa falha e apontar a educação continuada como saída”, explica a professora Patrícia.



A pesquisa foi realizada por meio de levantamento bibliográfico e da realização de entrevistas com professores da rede de ensino regular de Teresina. As entrevistas foram realizadas com quatro professoras do ensino regular, que atendem crianças com autismo, dentre outros alunos, em escolas inclusivas. Segundo comenta a professora Patrícia, um dos objetivos era perceber que tipos de intervenções eram realizadas, os métodos utilizados pelas profissionais, se havia planejamento com a intenção de desenvolver habilidades sociais das crianças com TEA ou se essas profissionais se restringiam ao seu trabalho pedagógico sem preocupações específicas com tais crianças.

“O que a gente percebeu é que as professoras sentem muita dificuldade no trabalho com criança com autismo, principalmente por conta da limitação na própria formação delas. Elas não viram isso na formação inicial e nem na formação continuada e assim, os alunos com autismo acabam ficando a critério do auxiliar pedagógico. Por conta da rotina das salas e da quantidade de alunos, elas não conseguem dar uma atenção individualizada para esses meninos”, diz Patrícia.

Ana Luiza aponta que as crianças com autismo demandam tratamento individualizado dado que o Transtorno do Espectro Autista se apresenta de forma diferente em cada indivíduo: “Eles têm uma personalidade e um transtorno totalmente individualizado, que é Transtorno do Espectro Autista, que se apresenta de formas diferentes em pessoas diferentes. Um autista nunca vai ser igual ao outro e a professora precisa, em muitos momentos, se desdobrar em várias, porque é muito difícil dar esse suporte para o aluno. Muitas vezes, ela acaba não conseguindo agir de uma forma próxima ao ideal, embora não tenhamos como precisar a forma exatamente ideal pelas singularidades do TEA”, pontua a estudante.

Segundo as pesquisadoras, os resultados do estudo apontam para as dificuldades das professoras no manejo com os alunos, bem como para o suporte de outros profissionais que atuam fora da escola, como os psicólogos que acompanham a criança, além do apoio da família. “Nós encontramos experiências bem sucedidas de professoras em que o aluno com autismo tem suporte profissional fora da escola, que geralmente, são profissionais da Psicologia que estão em contato com a escola, com a família e têm a preocupação de ajudar esse professor no manejo do aluno, da sala de aula, para incluir o aluno com outros grupos”, comenta Patrícia.

Ana Luiza ressalta ainda que a pesquisa sinaliza para a dificuldade que os profissionais da educação têm em trabalhar com crianças autistas: “Mesmo nossa amostra não sendo tão grande, apenas quatro professores, a gente já nota essa dificuldade, essa realidade. Quando a gente vai para uma larga escala, a gente vê o tanto essas professoras têm dificuldade de lidar com esse público e a necessidade do preparo que elas precisam ter, além do apoio da família, que é muito importante. A principal contribuição que fica é a da necessidade de saber mais, buscar mais informações em relação a esse tema”, finaliza.



 
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