Tamanho da letra A+ A-
 

PIBIC UNIFSA: Pesquisa analisa uso de ultrassom e fitoterápicos na reparação do tendão calcâneo de ratos




O tendão calcâneo, comumente conhecido como “calcanhar de Aquiles”, é uma das áreas que mais congrega dor na região dos pés. Em geral, as causas da dor advêm de lesões por sobrecarga, principalmente em praticantes de esportes de alto impacto, além do uso de calçados inadequados e do sobrepeso.

A lesão pode ser desde um simples estiramento, passando pela lesão parcial ou total e, dependendo do quadro, diversos recursos terapêuticos podem ser utilizados, como o Ultrassom Terapêutico (US) e o uso de fitoterápicos, associados ou não. Foi pensando em analisar a eficácia desses tratamentos, que o professor Dr. Manoel Moura, juntamente com os alunos do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Santo Agostinho, Gabriel Martins e Monaliza dos Anjos, resolveu comparar o efeito da reparação tendínea por Abelmoschus esculentus Linn (AEL) com o efeito do uso do Ultrassom Terapêutico (US).

Na pesquisa intitulada “Reparação do tendão calcâneo em ratos após tenotomia e tratamento por ‘Abelmoschus esculantusL.’ e  ultrassom terapêutico: avaliação pelos achados histopatológicos”, a equipe recorre a um estudo experimental, conforme explica o aluno Gabriel Martins: “O professor Manoel trabalha com pesquisa experimental e nos convidou para analisar os efeitos do ultrassom em fonoforese, que é a capacidade em aumentar a penetração de agentes farmacológicos ativos através da pele, tudo isso contribuindo com uma ação antiflamatória para as lesões.”.



De acordo com o estudante, a equipe decidiu por trabalhar com o quiabo, uma planta reconhecida por seu potencial antiinflamatório. “Pensamos em qual seria a planta utilizada e surgiu a vontade de trabalhar com o quiabo (Abelmoschus esculentus Linn), que é apontado como possuidor de propriedades antiflamatórias, no entanto ainda não existem muitas pesquisas que evidenciem esse fator. Então, achamos que seria importante investigar seu uso exclusivo e em associação com o aparelho de ultrassom”, comenta Gabriel.

A pesquisa foi realizada através de uma análise em modelo experimental, em que foram selecionados 40 ratos machos Wistar que passaram por uma tenotomia (operação que consiste no corte de tendões) na pata direita sendo tratados durante sete e 14 dias consecutivos. Os animais foram divididos em grupos com tratamento de AEL por via tópica, Ultrassom, tratamento conjunto das duas terapias, além do grupo controle.

Monaliza dos Anjos ressalta que todo o trabalho teve aval da Comissão de Ética no Uso de Animais do UNIFSA: “Foi muito desafiador lidar com a parte experimental, trabalhar com os animais, produzir o fármaco, fazer a aplicação das técnicas nos grupos, observar os resultados, fazer as comparações e análises. Foi um trabalho muito intenso e uma experiência única, que nos possibilitou bastante crescimento profissional”, diz a estudante.

Os resultados acerca da recuperação do tendão foram analisados por meio de achados histopatológicos, com avaliação das células inflamatórias mononucleares, polimorfonucleares e células fibroblásticas. A maior eficácia no processo de reparo tecidual encontrada na pesquisa se relaciona a associação de US e AEL, que demonstrou melhor capacidade em aumentar o número de células fibroblásticas em comparação aos outros grupos no tempo experimental de sete dias, e em relação ao controle em 14 dias.

O professor Manoel Moura destaca os resultados satisfatórios da pesquisa que, em formato de artigo, aguarda a publicação em revista especializada: “Os resultados dessa pesquisa são muito importantes por contribuírem com evidências científicas para o campo da saúde, além de ajudar na produção do fármaco e de aperfeiçoamento na técnica da ultrassom”, avalia o docente.



 
LEIA MAIS