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PIBIC UNIFSA: Pesquisa analisa os significados associados ao consumo de automóveis por homoafetivos




Visando compreender os significados associados ao consumo por grupos de homoafetivos, o professor Dr. Tonny Kerley de Alencar Rodrigues e a aluna do curso de Psicologia do Centro Universitário Santo Agostinho, Ingrid Santos Rodrigues, desenvolveram uma pesquisa que integrou o programa de iniciação científica do UNIFSA. A pesquisa partiu do estudo de consumo de automóveis, a partir do qual, os pesquisadores perceberam que não existia nenhum trabalho com foco no consumo realizado por homoafetivos, especificamente da classe média emergente.

A pesquisa foi intitulada “Significados associados ao consumo de automóveis por homoafetivos da classe média emergente” e, segundo explica o professor Tonny Kerley, “esse grupo tem significados de mudança identitária e de socialização diferentes de outros grupos com categoria de renda maior, já que, em geral, quanto menor a renda, mais discriminado o homossexual é. Então as barreiras são muito maiores”.

No estudo os pesquisadores utilizaram o paradigma interpretativista, que busca compreender o consumo simbólico e os fatos culturais diversos, com base nas perspectivas teóricas que compõem a CCT (Consumer and Culture Theory), que compreende os bens materiais como uma representação da cultura na qual as pessoas estão inseridas, além de tratar sobre aspectos que envolvem o consumidor, a cultura e o mercado e os valores simbólicos dos bens materiais. O método de análise empregado foi o de Spiggle (2014), que serve para interpretar os dados colhidos nas entrevistas. Esse procedimento consiste em ler todas as entrevistas em profundidade com o objetivo de encontrar semelhanças e diferenças, possibilitando a criação de categorias de análise.

A pesquisadora Ingrid Rodrigues pontua que as principais categorias encontradas foram: significados do consumo do automóvel, mudança identitária, influência do preconceito no consumo do carro, segurança e aquisição do automóvel como plataforma de vida. “Os significados encontrados foram diversos, passam pelo aumento da autoestima, a sensação de segurança em não andar mais a pé ou de não depender de transporte público, local onde ocorrem muitas circunstâncias de preconceito. Também apareceram significados associados à liberdade e independência, além do afeto dedicado ao veículo que representa tantas coisas positivas, conforme identificamos nas entrevistas”, comenta a estudante.

Para o professor Tonny Kerley, como contribuição teórica, o trabalho aponta que os significados encontrados estão relacionados a valores utilitários e hedônicos, pois “o grupo de consumidores homoafetivos, além das características funcionais, pode buscar representar aspectos simbólicos a partir da aquisição do automóvel, que contribui para ascensão social e mudança identitária. Além disso, na percepção do grupo de indivíduos analisados, o veículo teve a capacidade de reduzir o preconceito, seja porque simboliza superioridade social, seja porque traz segurança ao utilizarem o automóvel como uma espécie de camuflagem para expressar seus sentimentos afetivos ou se protegerem da violência que podem sofrer a partir do preconceito pela orientação sexual”, finaliza.



 
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