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PIBIC: Pesquisadores avaliam a citotoxidade, mutagenicidade e toxicidade da Quitosana

A quitosana, uma fibra natural de origem animal, apresenta propriedades benéficas superiores a outras fibras dietéticas, tanto sintéticas quanto naturais. Dentre seus benefícios destacam-se propriedades antimicrobianas e estimulantes do sistema imune, podendo acelerar a cicatrização de feridas, inibição de células tumorais, efeito antifúngico, atividade antiácida e antiúlcera, ação hemostática, capacidade de auxílio na redução do peso corpóreo e melhoramento do perfil lipídico.  Por essa gama de potencialidades, a quitosana alçou grande popularidade com os usuários, em geral, interessados especialmente na capacidade de auxiliar na redução de peso corporal através da captura de gordura ingerida e a capacidade de redução dos níveis de colesterol LDL.


Como a quitosana vem sendo utilizada no cuidado pessoal, muitas vezes sem prescrição ou acompanhamento médico, e seus efeitos tóxicos não são amplamente divulgados, faz-se necessário ensaios de avaliação dos possíveis efeitos tóxicos, citotóxicos, genotóxicos e mutagênicos do extrato aquoso de quitosana e estudos sobre a farmacovigilância da mesma com a intenção de traçar um perfil de segurança e eficácia para seu uso popular. Foi pensando nisso que o prof. Dr. Manoel Pinheiro Lúcio Neto e as estudantes Keylla Ribeiro da Silva e Juliana Feitosa Chaves, do curso de Farmácia do Centro Universitário Santo Agostinho, realizaram uma investigação para avaliar esses pontos. A pesquisa “Avaliação da citotoxidade, mutagenicidade e toxicidade da Quitosana por métodos Allium Cepa em células eucarióticas” foi financiada pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do UNIFSA.


Os testes foram realizados com Allium Cepa (bulbo da cebola), que a estudante Juliana Chaves define como um teste rápido, de baixo custo e que tem muitas vantagens de manipulação, pois fornece cromossomos em boas condições para estudo de danos ou distúrbios na divisão celular, incluindo a avaliação de riscos de alteração cromossômica, além de ser sensível e de apresentar boa relação com outros sistemas de teste. “Os resultados positivos no teste devem ser considerados como um alerta e também um indicativo de que o fator químico testado pode ser um risco para a saúde do homem”, explica. O professor Manoel Pinheiro complementa que o extrato de origem animal vem rico de muitas substâncias, algumas com atividade terapêutica, mas têm muitas constituintes que tem atividade tóxica e muitas vezes essa toxicidade hepática, renal e hematológica desaconselharia o uso na população.


Os pesquisadores explicam que o teste na Allium Cepa foi realizado em três dosagens, onde cada grupo experimental recebeu o extrato aquoso da quitosana nas concentrações de 250, 500, 1000mg/mL. A estudante Keyla ressalta que as quantidades foram escolhidas baseadas na utilização empírica, em geral de 500mg/ml, por isso foram analisadas concentrações maiores e menores para possíveis detecções de toxicidade, citotoxicidade, genotoxicidade e mutagenicidade. Como controles negativo e positivo foram utilizados, respectivamente, água sem cloro e sulfato de cobre. “Para cada grupo testamos cinco bulbos de cebola, em cada bulbo, mil células avaliadas, 5 mil células por grupo, chegando a 25 mil células analisadas ao total. Então demorou para obter os resultados. Nós comparamos estatisticamente os resultados da quitosana com a água e o sultafo de cobre. Se desse estatisticamente diferente da água, indicaria a presença de danos, bem como se os resultados se aproximassem do obtido com o sufalto de cobre. Os resultados demonstram que a concentração de 250 mg/mL se mostrou viável, com 500 a gente já teve a presença da toxicidade, aberrações cromossômicas e de 1000 já mostrou bastante tóxico. É perigoso porque a quitosana é utilizada de diferentes formas”.


O professor Manoel Pinheiro, que é Doutor em Biologia Celular e Molecular Aplicada à Saúde, afirma que em Farmacologia Clínica a eficácia precisa estar aliada à segurança do medicamento, uma vez que o consumidor é também um paciente, com uma situação clínica relevante e que pode sofrer alterações fisiopatológicas comprometidas por conta de reações adversas causadas pelo medicamento. “Mais de 1/3 de toda a produção farmacêutica mundial é retirada do mercado antes dos 5 primeiros anos de uso, mesmo com os estudos clínicos e pré-clínicos porque esses estudos são feitos em parcela da população. Quando um medicamento é lançado no mercado, ele é utilizado pela população de forma geral, existe uma coisa chamada de variabilidade individual do ponto de vista bioquímico, enzimático e metabólico, nós somos completamente diferentes”.


Diante desse quadro, os pesquisadores apontam a importância de realizar testes que comprovem a eficácia e segurança especialmente de medicamentos populares e com histórico de serem utilizados de maneira aleatória e sem prescrição. “O mais gratificante desse trabalho é que podemos contribuir para o avanço da confiabilidade dos medicamentos no mercado. Nosso trabalho já foi submetido para publicação em forma de artigo, mas mais do que é isso, queremos a socialização com a sociedade em geral porque é importante que eles tenham essas informações para tomarem a melhor decisão sobre sua saúde. Esse é o nosso papel como profissionais da área. Nosso trio já está com outro projeto aprovado para a Iniciação Científica, só que dessa vez o extrato é vegetal e não animal”, encerra a estudante Juliana Chaves.



 


 


 


 
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