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PIBIC: Pesquisadoras estudam a rotura precoce de membranas no pós-parto de mulheres atendidas em uma Maternidade de Teresina- PI

A ruptura precoce de membranas fetais é definida como o rompimento espontâneo das membranas ovulares antes de completar 37 semanas gestacionais. Essa rotura antecipada ocasiona perda do líquido amniótico sem a deflagração do trabalho de parto e pode colocar em risco o desenvolvimento do feto e a própria gestante, uma vez que força o adiantamento do parto. Em geral, a sua ocorrência é de 2% a 4% nas gestações e, de acordo com a literatura, muitos fatores estão atualmente associados à sua incidência, como a presença de mecanismos patológicos como infecções intra-amnióticas, hiperdistensão uterina, bem como fatores obstétricos como rotura prematura de membrana anterior, hábitos comportamentais e a qualidade do acompanhamento pré-natal. Conforme as implicações que esse problema pode acarretar e com a intenção de contribuir para estabelecer estratégias de prevenção, a Profa. Ma. Karla Joelma Bezerra Cunha e a estudante do curso de Enfermagem do Centro Universitário Santo Agostinho, Carla Kellen Lima Sousa, realizaram a pesquisa “Rotura precoce de membranas no pós-parto de mulheres atendidas em uma maternidade de referência em Teresina-PI”.


A pesquisa, que integra o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do UNIFSA (PIBIC), objetivou, por meio de questionário e entrevistas, analisar os aspectos sóciodemográficos, levantar os antecedentes obstétricos e ginecológicos, fatores de riscos de mulheres que estiverem com diagnóstico de rotura de membranas, além verificar os aspectos clínicos e as complicações decorrentes da rotura. A estudante Carla Kellen explica que, ao total, 90 mulheres atendidas na Maternidade Dona Evangelina Rosa participaram da pesquisa. “Depois da aprovação pelo Comitê de Ética, nós fizemos uma triagem dos casos atendidos nos últimos meses pela maternidade, apresentamos às possíveis participantes os objetivos, riscos e benefícios da pesquisa e como elas podiam contribuir. Quase todas se interessaram em ajudar, entendendo que os resultados desses estudos poderão auxiliar na compreensão dos fatores de riscos e formas de cuidado para, se possível, evitar que outras mulheres passem por esse problema. Apesar de trabalhoso, pelo volume de material, não tivemos dificuldade em coletar os dados, só tivemos um pequeno percalço porque a maternidade passou um tempo parcialmente interditada.”


A professora Karla Joelma detalha os quesitos que nortearam a elaboração do questionário. “Contemplamos as variáveis sóciodemográficas como idade, estado civil, renda familiar, escolaridade, ocupação, raça. Pois a literatura aponta que esses dados sociais fornecem indícios importantes para a compreensão dos grupos mais incidentes. Também pontuamos as doenças preexistentes: hipertensão arterial sistêmica crônica (HAS), diabete mellitus, infecção no trato urinário, antecedentes ginecológicos e obstétricos e doenças sexualmente transmissíveis. Além de informações gestacionais, como a idade gestacional no início do pré-natal, número de consultas pré-natal, número de gestações, partos, abortamentos, número de filhos vivos, idade gestacional (IG) no momento da rotura, pressão arterial, método terapêutico indução ou conservação. Também foram observados os fatores de risco  e a evolução da paciente/feto/neonato. Foi uma pesquisa bem densa e que propiciou diversos pontos para estudo, comparamos os resultados alcançados com de outros estudos similares em outras regiões do País”.


Pelo grande volume de informações, os resultados foram tabulados e processados em planilha do programa Excel, no SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 19.0. Com os dados analisados, as pesquisadoras destacam alguns pontos importantes, um deles é o de que a ruptura prematura de membranas ovulares é uma ocorrência frequente e que está associada ao maior risco de complicações materno-fetais, por isso devem ser identificados pela equipe profissional responsável pelo acompanhamento da mulher no processo gestacional. Quanto ao perfil socioeconômico das mulheres entrevistadas, em sua grande maioria estavam na faixa etária entre 20 e 35 anos de idade, de raça parda, sem ocupação e renda, casadas, com ensino fundamental e médio, multíparas e procedentes principalmente de regiões do interior, evidenciando assim que a amniorrexe prematura é mais comum em mulheres com menor nível socioeconômico e em lugares mais distantes de um atendimento médico de referência.


Também foi significativo o resultado encontrado acerca da presença de infecção do trato urinário, enquanto o histórico de doenças sexualmente transmissíveis não apresentou dados relevantes nos questionários. Na literatura, os casos de ruptura precoce estão associados a ausência do acompanhamento pré-natal, no entanto, em sua grande maioria, as mulheres entrevistadas realizaram acompanhamento pré-natal, com início em menos de dez semanas de gestação e realizaram seis ou mais consultas e fizeram uso de suplementos vitamínicos. Os resultados também não foram expressivos acerca do histórico de parto prematuro e fatores de risco. “As mães receberam alta após o parto, enquanto os recém-nascidos necessitaram de internação. Esses resultados mostraram que na população em estudo, apesar da realização satisfatória do acompanhamento pré-natal e ausência de fatores de risco, houve a ruptura de membranas. Isso demonstra a necessidade de buscar mais fatores e mais pontos que podem estar associados à ocorrência, que contribui para aumentar as internações de recém-nascidos”, avalia a estudante pesquisadora.


O estudo favoreceu a análise do perfil de mulheres com ruptura precoce de membranas ovulares em uma maternidade no Piauí e evidenciou a necessidade de aprofundamento tendo em vista a importância do tema. “O ponto forte do que produzimos se relaciona às estratégias de educação em saúde para prevenção de agravos para a mãe e o bebê, mais estudos devem ser desenvolvidos para tentar reduzir a ocorrência de aminiorrexe prematura e os índices de morbimortalidade materno-fetal”, finaliza a professora. Pela relevância do tema e também pela regionalidade, já que se trata da realidade do Piauí, as pesquisadoras revelam que a experiência foi gratificante e se preparam para publicações em revistas da área.



 
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