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Pesquisadores de Fisioterapia da FSA comparam técnicas para o tratamento de dor de pacientes com cervicalgia de origem mecânica




A pesquisa científica é um processo sistemático de construção do conhecimento e que tem como um dos principais objetivos o aprofundamento das questões relacionadas à investigação proposta, fomentando assim novos saberes teóricos e práticos para a área. Na área de saúde, as pesquisas científicas auxiliam na atuação profissional e, consequentemente, na melhoria de vida da comunidade em geral. Foi com esse pensamento que a professora Ma. Seânia Santos Leal, do curso de Fisioterapia da FSA, teve a ideia de analisar e comparar a efetividade de tratamentos manuais e de estímulo elétrico em pacientes com cervicalgia de origem mecânica.



“A ideia do projeto surgiu na disciplina de Eletrotermofototerapia, a partir da comparação de duas técnicas, uma eletroanalgésica (a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea – TENS) e uma manipulativa, a Quiropraxia, que é amplamente utilizada na Fisioterapia, mas que ainda não possui amplas evidências científicas da sua eficácia. E foi isso que instigou a pesquisa, pois para o que não há muita evidência, a função do pesquisador é a de investigar, resolver”, explica.



Então, o projeto “Avaliação dos efeitos da Quiropraxia e da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) na dor de pacientes com cervicalgia de origem mecânica” foi enviado como proposta para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da FSA e contou com a participação dos acadêmicos, Monaliza Sousa dos Anjos e Gabriel Martins de Barros, do curso de Fisioterapia. A pesquisa teve como objetivo analisar se as técnicas Quiropraxia e Estimulação Elétrica Nervosa Transcutanêa – TENS trazem resultados positivos quando aplicadas isoladamente e em conjunto, diante da dor, amplitude de movimento – ADM da coluna cervical, além de avaliar seu impacto na qualidade de vida. A pesquisa contou com uma etapa empírica realizada com os frequentadores da Associação de Judô Expedito Falcão – AJEF.





Monaliza Sousa ressalta que desde o começo o projeto foi bem aceito pela comunidade científica: “Inicialmente, nós enviamos um trabalho para um simpósio, mas mais em caráter de revisão de literatura, e as nossas constatações foram muito bem recebidas, o que nos estimulou ainda mais para investigar e realizar a parte empírica com as intervenções”, relata. Gabriel Martins complementa que outro fator de estímulo para a pesquisa adveio da escassez de trabalhos comparando as duas técnicas. “Essa comparação é importante porque fora do Brasil a Quiropraxia não é nem considerada dentro das técnicas fornecidas pela Fisioterapia, então nós analisamos essa técnica mais detalhadamente, incluindo uma verificação empírica”.



De forma aleatória, foram formados quatro grupos de voluntários na Associação de Judô Expedito Falcão – AJEF, através dos critérios de inclusão e exclusão. Inclusão: sujeitos maiores de idade, com alguma dor na região cervical há mais de três meses e essa dor de origem mecânica, ou seja, aquele paciente que tem visivelmente algum distúrbio de posicionamento de vértebra, algum espasmo no músculo, algo que atrapalhe a função. Exclusão: pacientes que apresentassem qualquer tipo de deformidade ou doença crônica que pudesse atrapalhar nos resultados da pesquisa. Os grupos foram formados randomicamente, o primeiro deles foi submetido ao tratamento através da Quiropraxia, o segundo com a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS), no terceiro foram utilizadas as duas técnicas e no quarto não foi aplicada nenhuma técnica.





Conforme a professora Seânia, a pesquisa foi desenvolvida com êxito porque os alunos se dedicaram com afinco ao processo de construção do conhecimento. “Nós conseguimos alcançar os objetivos propostos e constatamos que tanto a dor quanto a função obtiveram melhora significativa nos grupos tratados com a terapia manual e o estímulo elétrico. Esses resultados são importantes porque podem guiar a comunidade científica, acadêmica e a prática clínica fisioterapêutica nas técnicas que a gente já atua e institui no atendimento do paciente no dia-dia”, observa.



Um artigo científico resultante da pesquisa já foi apresentado no oitavo Congresso Internacional de Fisioterapia, que aconteceu em Salvador em setembro de 2016. E os pesquisadores já têm planos para produzir mais um texto com o objetivo de submeter para a revista brasileira de Fisioterapia. Tanto Monaliza, quanto Gabriel concordam que essa experiência foi muito engrandecedora para as suas trajetórias acadêmicas, principalmente tendo em vista que os dois aspiram seguir na pesquisa científica e posteriormente adentrar um programa de pós-graduação Stricto sensu.




 
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