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Pesquisadores da FSA conseguem mascarar odor do pequi para utilização do óleo com fins cosméticos




As formas farmacêuticas com bases oleosas, em geral, têm propriedades que são destinadas à hidratação da pele (cremes, emulsões, etc.), pois evitam a perda de água. Tendo em vista as propriedades hidratantes do óleo extraído da polpa do pequi, o professor Dr. Charllyton Luís Sena, do curso de Farmácia da Faculdade Santo Agostinho, desenvolveu o projeto de pesquisa “Redução do odor exalante do Caryocar sp com implantação na forma farmacêutica creme O/A”.



A pesquisa teve como objetivo de formular uma base de creme (O/A) contendo óleo extraído da polpa do fruto da região do Piauí (Caryocar sp), mediante a redução ou mascaramento do odor do fruto sem a perda das suas principais propriedades. O projeto foi desenvolvido com o apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/FSA) e contou com a participação das alunas, Vanessa da Silva Oliveira e Allana Paloma Miranda de Santana Melo.





O professor explica que o principal objetivo do projeto foi aproveitar as características farmacêuticas benéficas do pequi, utilizando sua matéria graxa para fins cosméticos e distanciando o fator limitador representado pelo cheiro forte exalado pelo fruto: “A proposta foi aproveitar o pequi, obtendo um material diferente do tradicional que, em geral, é obtido através do cozimento do fruto e acaba reduzindo os antioxidantes, a vitamina E, o que diminui suas potencialidades. Nosso grande passo foi desenvolver outro tipo de extração que preserva as propriedades em forma de um hidróleo, no entanto bastante odorífero e em forma de emulsão”, explica.





O grupo adaptou uma prensa, geralmente utilizada para a produção de queijo, para extrair o óleo em um processo que consistiu em congelar o pequi, despolpar e retirar o óleo, em processos contínuos, até conseguir uma substância natural, sem perdas. Allana Melo pontua que a extração pelo método diferenciado, usando o ar frio, permitiu que fosse extraído um óleo mais denso que o normal e de odor muito acentuado, o que gerou o receio na equipe de não conseguir disfarçá-lo no processo de desodorização. “Nos primeiros testes, utilizamos algumas essências para neutralizar as notas do pequi e obtivemos êxito quase imediato, tanto que em uma análise às cegas, dificilmente alguém consegue identificar o cheiro do fruto”, comenta.



A realização da pesquisa trouxe como resultados a inovação do método de extração do óleo que preserva suas propriedades naturais e a posterior utilização na produção de hidratantes com o odor devidamente mascarado. Também foi realizado o controle de qualidade do produto, com a análise da composição físico-química, potencial hidratante, PH, densidade e viscosidade.



Para a aluna Vanessa Oliveira, a experiência foi gratificante, pois permitiu que ela vivenciasse os percalços da pesquisa científica em uma produção farmacêutica, fortalecendo sua formação acadêmica e instigando seu interesse pelo desenvolvimento de produtos inovadores.




 
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