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Pesquisadoras da FSA desenvolvem estudo sobre práticas educativas de pais de adolescentes autistas




De acordo com o Manual de Saúde Mental DSM-5, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) faz referência a um grupo de desordens complexas do desenvolvimento cerebral, que pode ocorrer antes, durante ou após o parto, acarretando em dificuldades de comunicação social, interação e comportamentos repetitivos.



Tendo em vista a grande relevância da temática, equipes de pesquisadores do curso de Psicologia da Faculdade Santo Agostinho empreenderam, em 2016/2017, um estudo com o tema “Práticas educativas e habilidades sociais de pais de adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA)”. A equipe formada pela professora Ma. Brunna Stella Carvalho e as discentes Lilian Ferreira do Nascimento (bolsista PIBIC) e Ana Luiza Cavalcanti (colaboradora) tiveram a pesquisa vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/FSA).



A ideia do projeto surgiu a partir do interesse de Lilian, que na edição anterior do PIBIC havia desenvolvido uma pesquisa que teve como cerne analisar a função do acompanhante terapêutico no tratamento de crianças com autismo. De acordo com as pesquisadoras, o projeto tem como diferencial a proposta de lançar um olhar sobre a relação entre os pais e seus filhos adolescentes diagnosticados com TEA. “Quando se fala do estudo com autismo, nós vemos muitos estudos e pesquisas publicadas sobre crianças, e resolvemos modificar o foco; pretendemos ver como os pais estão educando seus filhos adolescentes, porque assim a gente verifica a questão dos modelos comportamentais e sociais e de como eles [pais] estão realmente monitorando seus filhos”, explica Ana Luiza.





O estudo buscou verificar de que modos as práticas educativas e habilidades sociais apresentadas pelos pais podem influenciar no desenvolvimento da autonomia social do adolescente com TEA. Tendo como base o Inventário de Estilos Parentais (IEP) – Práticas educativas maternas e paternas – auto-aplicação e o Roteiro de entrevistas de Habilidades Sociais Educativas Parentais (RE-HSE-P), a equipe realizou entrevistas com 15 pais de adolescentes diagnosticados com TEA e atendidos na Associação dos Amigos dos Autistas do Piauí (AMA).



Segundo ressalta a professora Brunna, a amostra da pesquisa apresentou dados indicativos da influência de Estilos Parentais e Habilidades Sociais de pais de autistas em comportamentos pró e antissociais de seus filhos, contribuindo também para obtenção de pistas sobre déficits e excessos comportamentais desses cuidadores: “Nós estamos baseadas no inventario de estilos parentais utilizado no Brasil e que traz aspectos positivos e negativos das praticas dos pais e tem sido aplicado com crianças típicas, pessoas típicas e com desenvolvimento atípico também. Ele nos mostra que é a ação do pai em relação ao filho que o leva a se comportar de uma forma adequada socialmente”, comenta a docente.





Para Lilian, o fato dos pais não sinalizarem corretamente o que os filhos devem ou não fazer dificulta que as crianças ou adolescentes tenham comportamentos mais funcionais ou socialmente aceitos: “Algumas vezes os pais acabam não sinalizando de forma correta para os filhos o que eles devem fazer ou não; eles [autistas] já têm certa dificuldade de interpretar e expressar emoções e sentimentos. Então, às vezes, o adolescente está em um momento de birra e o pai, não sabendo o motivo, acaba sendo mais ríspido. Se ele [pai] souber se expressar melhor, tendo mais conhecimento, facilitaria um comportamento mais funcional do adolescente”, destaca a estudante.



Em seu terceiro ano como bolsista do PIBIC e já concluindo a graduação em Psicologia, Lilian afirma que o contato com a pesquisa foi determinante para sua formação e pretensões futuras na área: “Foram três anos seguidos sendo bolsista PIBIC e eles me deram uma base muito boa com relação à pesquisa, às questões éticas envolvendo a pesquisa, que vão desde a escolha do tema, até questões mais burocráticas. Esses três anos me enriqueceram muito e me deram uma base legal pra pesquisa, uma coisa que eu quero continuar”, pontua.






 
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