Tamanho da letra A+ A-
 

Pesquisadoras da FSA analisam o impacto do diagnóstico de esquizofrenia na família do paciente




A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta aproximadamente 1% da população mundial, caracterizando-se por uma intensa desestruturação psíquica, em que a pessoa apresenta dificuldade em sintonizar emoções, pensamentos e crenças. Em decorrência da sua gravidade e por ser uma doença crônica, o paciente necessita de acompanhamento médico e cuidados especiais, geralmente advindos da família. Partindo deste contexto, a professora Karoline Costa e Silva e as alunas, Ingrid Soares de Alencar e Marta Raísa Campelo Aureliano, buscaram compreender o impacto do diagnóstico na família do paciente esquizofrênico.



O projeto, produzido no Programa de Iniciação Científica da Faculdade Santo Agostinho, partiu do entendimento de que conviver com o paciente esquizofrênico é uma experiência desafiadora e que demanda dos familiares atenção e cuidados específicos após o diagnóstico. “Nós suscitamos essa questão na disciplina de Psicopatologia e nosso objetivo foi o de entrevistar familiares que convivessem diariamente com o sujeito acometido por esquizofrenia, através de entrevistas semi estruturadas e com algumas perguntas abertas. A partir das narrativas dos familiares, construímos as categorias de análise”, explica a professora Karoline Silva.



Ao total, foram entrevistados 10 (dez) familiares de pacientes esquizofrênicos assistidos no Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, por meio de questionário e entrevista. Através de análise de conteúdo e análise temática, o estudo evidenciou três categorias principais. A primeira delas trata das emoções vivenciadas, que, em sua maioria, circundam os sentimentos de tristeza, desespero e aflição. A segunda categoria diz respeito às modificações na rotina diária, o que vai desde a reorganização do ambiente familiar com a retirada de objetos que apresentem riscos até o abandono do trabalho, em razão da dedicação integral ao paciente.





E a última categoria tratou das estratégias de enfrentamento, em que as pesquisadoras detectaram o uso da medicação como a principal delas. “Muitos entrevistados afirmaram que a medicação adequada e a aceitação do paciente diminuem as dificuldades, mas quando há rejeição ao remédio, o sofrimento é intenso. Além do remédio, outra estratégia é o revezamento e a divisão das tarefas, a fim de amenizar a sobrecarga física e mental”, esclarece Ingrid Soares.



A pesquisadora Marta Raísa explica que uma das dificuldades encontradas foi a de conseguir coletar os dados para a análise. “Como a pesquisa foi feita em uma área específica do Hospital psiquiátrico, isso limitou um pouco os sujeitos pesquisados, porque nem sempre tínhamos a disponibilidade de encontrá-los e mesmo quando encontrávamos, nem todos estavam dispostos a conversar, uns pela timidez, outros pelo cansaço ou porque estavam sozinhos e precisavam acompanhar os pacientes.”.



Outro dado levantado pelas pesquisadoras revela a importância do cuidado do familiar no tratamento do paciente esquizofrênico, onde a participação deste se reflete como fonte de melhoria. No entanto, o que os familiares relataram na pesquisa é que sentem falta de um serviço voltado para eles, que os auxiliem com o esclarecimento de dúvidas sobre a esquizofrenia, sobre o papel do cuidador e até mesmo na elaboração de estratégias. As pesquisadoras são unânimes em afirmar que deve haver uma atenção especial voltada à saúde mental dos familiares, pois eles vivenciam situações propícias a quadros de estresse, cansaço e sofrimento.



“Nós estamos pensando esse sujeito dentro de uma perspectiva  bio-psíquico-social, um contexto muito maior, porque a doença mental grave impõe diversos desafios e a família precisa estar capacitada para poder operar diante dessa nova realidade que ela está vivenciando. E como se trata de uma doença crônica, ela vai permanecer durante muito tempo. Então nós precisamos debater, estudar e propor ações que gerem bem-estar e qualidade de vida tanto para o paciente com esquizofrenia quanto para a família”, enfatiza a professora Karoline Silva.



São por essas questões que lidam com o bem estar social e psíquico dos sujeitos, que o curso de Psicologia da FSA se preocupa em incentivar, desde os primeiros períodos, a pesquisa científica, a extensão acadêmica, os estágios e demais atividades que corroborem com a reflexão acerca da realidade social. Marta Raísa e Ingrid Soares acentuam que a elaboração da pesquisa veio de uma problematização provocada em sala de aula e que hoje, diante dos resultados, sentem-se ainda mais estimuladas em pesquisar. “A pesquisa ampliou os nossos olhares para a esquizofrenia, para os familiares, mas, além disso, ampliou nossos olhares para a nossa própria profissão”, finaliza Ingrid.



 
LEIA MAIS