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Pesquisa desenvolvida na FSA analisa propriedades tóxicas da semente de Goji berry




A fitoterapia consiste no uso interno ou externo de plantas, “in natura” ou sob a forma de medicamentos, para prevenção ou tratamento de patologias e acompanha as sociedades humanas desde épocas remotas. De acordo com as descobertas terapêuticas e objetivos específicos de cada época, determinadas plantas ou frutos tem o seu uso intensificado, como é o caso do Lycium barbarum, conhecido como “Goji berry,” que tem sido bastante utilizado atualmente por suas propriedades medicinais e seu potencial nutritivo.



Dentro desta perspectiva, o professor Me. Manoel Pinheiro Lúcio Neto, docente do curso de Farmácia da Faculdade Santo Agostinho, propôs um estudo sobre a citoxidade, mutagenicidade e toxicidade do Goji Berry. Vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/FSA), o professor, que já possui trabalhos na área de genotoxicidade, desenvolveu a pesquisa “Avaliação da citoxidade, mutagenicidade e toxicidade do Lycium barbarum (Goji berry) por métodos Allium cepa em células eucariontes”, com o auxílio das alunas Francisca dos Santos e Ogenya Rafaela Bispo de Souza.



A semente de goji berry tem sido utilizada para a produção de medicamentos que prometem auxiliar no tratamento de diabetes, doenças hepáticas, infertilidade e também obesidade, motivo pelo qual tem sido consumida de modo indiscriminado. Segundo relata Francisca, durante o período de estágio em uma farmácia de manipulação de Teresina, a aluna observou o intenso movimento de clientes em busca do medicamento: “Principalmente mulheres com alto grau de obesidade procuravam o goji berry nas farmácias de manipulação, em busca de emagrecer rapidamente. Mas essas pessoas consumiam 430mg, 500mg por dia, ou seja, não se preocupavam com altas dosagens. Por isso, tivemos a ideia de testar a toxicidade desse produto”, explica.





De acordo com o professor Manoel, a pesquisa funciona como um alerta sobre os perigos da automedicação. “As pessoas, principalmente mulheres, procuram as farmácias sem prescrição médica ou orientação de um profissional farmacêutico. Elas adquirem esses produtos confiando em informações sobre os efeitos benéficos que são difundidos na mídia, através da internet”, comenta o docente que acrescenta que, atualmente, não existem estudos que elucidem todas as propriedades toxicológicas da semente de goji berry.



A equipe adquiriu sementes de três marcas distintas e analisou amostras de 107,5 mg/mL, 215 mg/mL e 430 mg/mL, através do protocolo Allium cepa. Conforme explica Francisca, as amostras são menores que as dosagens comumente utilizadas pela população: “A dose que a gente usou é bem menor do que as que são vendidas nas farmácias. Geralmente as pessoas consomem a cápsula de 500 mg e, em alguns casos, até duas cápsulas por dia”.



Os resultados dos testes apontam que apenas a amostra de menor concentração (107,5 mg/mL) não apresentou toxicidade. O professor relata que o grupo teve o cuidado de utilizar três doses menores que as que são consumidas pela população e que é alarmante saber que apenas a dose de menor concentração não apresentou indícios de citoxidade, mutagenicidade e toxicidade: “Sabemos que a população está utilizando uma dose bem acima da que a gente encontrou e que já seria uma dose tóxica. A relevância desse trabalho está em fazer esse alerta para a população em relação ao uso indiscriminado de fitoterápicos e materiais vegetais”, comenta Manoel.



Segundo o professor, é fundamental que a população seja informada sobre os perigos da automedicação e do uso de medicamentos fitoterápicos: “Muita gente acha que é ‘só uma plantinha’, ‘só uma semente’, ‘só um extrato vegetal’ que, ‘se não trouxer nenhum beneficio, mal não faz’. Mas não é assim. A gente sabe que, muitas vezes esses, extratos, sementes ou qualquer tipo de material vegetal fitoterápico contém uma mistura de substâncias que podem ser extremamente benéficas, mas que podem ser também muito nocivas para a saúde da população”.



Para Ogenya, a pesquisa é enriquecedora, tanto do ponto de vista acadêmico, quanto social, uma vez que poderá trazer benefícios para a população, abrindo caminho para que novos estudos sejam realizados, como por exemplo, análises sobre efeitos colaterais dos fitoterápicos à base de goji berry.



Em seu terceiro ano de participação no PIBIC/FSA, o professor Manoel aponta ainda que a experiência de desenvolvimento da pesquisa, além dos resultados positivos para a área de Farmácia, possibilitou às alunas a compreensão de determinados aspectos do trabalho científico: “As alunas foram bastante comprometidas e captaram a essência do que é ser um pesquisador. Elas entenderam que não é fácil fazer pesquisa, que a gente encontra vários percalços no caminho, que ela nem sempre toma o rumo que a gente acha que ela vai tomar e esse é o grande lance da pesquisa: você saber que ela pode expandir para outras áreas e para outros rumos que você não imaginava que poderia ir antes”, disse.






 
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