Tamanho da letra A+ A-
 

Acompanhante terapêutico e autismo são temas de pesquisa em Psicologia




O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem chamado a atenção de pesquisadores de diversas áreas desde a década de 1940. Englobando diferentes síndromes, os aspectos que caracterizam o autismo são observados antes dos primeiros três anos de vida. Podendo se manifestar de forma isolada ou conjunta, o transtorno apresenta três características principais: déficits na comunicação, dificuldade de interagir socialmente e comportamento repetitivo, com restritas áreas de interesse.



Tendo em vista a necessidade de se compreender melhor os aspectos relacionados ao tratamento de crianças diagnosticadas com autismo, a professora Ma. Brunna Stella Carvalho, docente do curso de Psicologia da Faculdade Santo Agostinho, desenvolveu em 2014, a pesquisa “O acompanhamento terapêutico e sua influência no desenvolvimento da interação social do autista no contexto escolar”, em parceria com a aluna Lilian Ferreira do Nascimento. A iniciativa integrou o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da instituição.



A pesquisa analisou a função do acompanhante terapêutico no tratamento de crianças com autismo e seu trabalho no sentido de contribuir para que essas crianças consigam interagir socialmente no ambiente escolar. De acordo com a docente, a função de acompanhante terapêutico é, geralmente, desempenhada por estudantes das áreas de Psicologia e Pedagogia, que realizam práticas auxiliares ao desenvolvimento da criança.



“Eles vão transferir para ambientes externos, que não o do consultório ou da clínica, as práticas para que possam auxiliar as pessoas que dele necessitam, seja na escola ou em casa. O acompanhante terapêutico de uma criança com autismo, na escola, vai trabalhar as limitações da criança autista, orientado pelo terapeuta da criança”, explica a professora.





Por ser a escola um ambiente contextualizado, o estudo analisou as interações entre crianças autistas e seus acompanhantes, colegas, professores e demais atores presentes. Conforme as pesquisadoras, o acompanhante se torna profissional fundamental no desenvolvimento e na socialização das crianças. Explica o dito anteriormente, a opinião de Lilian: “o acompanhante terapêutico irá fazer uma ponte entre a criança, os colegas e demais profissionais do ambiente escolar. Ele é temporário, então começa dando uma maior atenção a criança, mas aos poucos vai se desvinculando dela”, comenta.



Segundo a professora Brunna, a contribuição deste auxiliar recai por facilitar à criança o desenvolvimento de habilidades em atividades diárias, sem assistência de outras pessoas: “Ele é como se fosse um professor. Ele ensina a pessoa que precisa dele a desenvolver habilidades para que interaja melhor no seu meio, conseguindo superar suas limitações”, esclarece.



Para as pesquisadoras, análises como essas são importantes meios para se ampliar os estudos sobre o autismo no Brasil e, especificamente, no Piauí: “O trabalho do acompanhante terapêutico é, de certo modo, velado. Ele tem muitos êxitos, mas a gente não consegue publicar isso, então essa é uma forma de mostrar o que o Piauí tem produzido”, finaliza a docente.


 
LEIA MAIS