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PIBIC UNIFSA: Pesquisadores analisam os significados associados à compra de automóveis por mulheres da classe média




Na última década, o bom momento da economia brasileira permitiu o acesso de milhões de brasileiros à classe média. Com renda familiar média entre R$ 1,2 mil e R$ 3,1 mil, essa classe pôde ter acesso a bens de consumo, financiamento de automóveis, casa própria, viagem aérea, plano de saúde. Na perspectiva de uma “nova classe média”, as empresas precisaram reavaliar suas abordagens de negócios, proporcionando uma visibilidade maior para essa nova classe social, cheia de expectativas e desejos.

Nesse cenário também desponta um nicho representado pelas mulheres que estão no mercado de trabalho e possuem renda própria. Pensando nesses dados, o professor Dr. Tonny Kerley de Alencar Rodrigues e o aluno Nicholas Longo e Silva, do curso de Administração do Centro Universitário Santo Agostinho realizaram uma pesquisa para compreender os significados inerentes ao consumo de carros por mulheres maduras da classe média. A pesquisa teve como título “Significados associados à compra de automóveis por mulheres de classe média emergente em idade de maturidade” e está vinculada ao programa de iniciação científica da instituição.

O professor Tonny Kerley explica que essas mulheres estão passando por uma grande mudança natural em suas vidas, com o período de amadurecimento do corpo e da mente, então o consumo de um bem durável como um carro pode representar também os sentimentos intrínsecos a essa fase da vida. Os pesquisadores partem da compreensão do consumo de automóveis, não só pelo viés utilitário, mas também por desempenhar funções de status, conquista social e inserção. E lançam os questionamentos: Quais os significados relacionados à compra de automóveis por mulheres da classe média? Como compreender a mudança de comportamento de consumo por mulheres com idade de amadurecimento, relacionado com a compra de veículos?



A pesquisa foi realizada com mulheres com idades entre 45 a 60 anos, da classe emergente, proprietárias de veículo, escolhidas através de amostragem não probabilística por conveniência, conforme o critério de saturação, ou seja, quando as respostas começaram a se repetir, foi encerrada a aplicação das entrevistas. O procedimento de coleta de dados utilizado foi de entrevista semi-estruturada, com roteiro de perguntas abertas e fechadas, a fim de responder as indagações propostas no estudo.

Os resultados foram divididos em categorias, pontuadas conforme a recorrência nas respostas dos sujeitos da pesquisa. Como fatores que motivaram a compra do carro, as entrevistadas apontaram, além da necessidade de locomoção e segurança, os sentimentos de realização pessoal e vitória. As entrevistadas também relataram pressão de familiares e amigos na escolha do modelo de automóvel a ser adquirido, sobretudo advindo de pessoas do sexo masculino. Quanto aos acessórios mais desejados, o ar condicionado e a câmera de ré despontaram como os principais. Quanto aos significados mais associados, o conforto aparece como o primeiro e a independência como segundo.

A equipe pontua que a pesquisa contribui para os estudos de consumo, à medida que aborda especificamente mulheres maduras da classe média. “Nosso estudo buscou intensificar os estudos já realizados por outros pesquisadores, mas dando uma nova visão a essas teorias, sobretudo pelo grupo de análise mais específico, algo inédito dentro da área. Existem vários estudos sobre as pessoas da classe média em relação ao consumo, entretanto, de forma muito geral ou analisando a primeira compra ou montando um perfil desses consumidores, mas nada sobre mulheres em idade de maturidade” finaliza Nicholas Longo.



 
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