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PIVIC UNIFSA: Pesquisa investiga processos subjetivos de psicólogos que atuam em programas de assistência estudantil




Há alguns anos, a Educação Superior no Brasil vem passando por um processo de democratização, através de políticas de expansão das Universidades. Para acompanhar os programas que buscam diminuir as desigualdades no acesso ao ensino, foi lançado, em 2010, o Programa Nacional de Assistência Estudantil – PNAES, que visa criar, garantir e ampliar as condições de permanência e conclusão, prioritariamente, do ensino de graduação presencial, mas também na pós-graduação e modalidades a distância.

O PNAES atua em diversas frentes e uma delas é a do serviço de Psicologia, o que suscitou no professor Me. Carlos Eduardo Gonçalves Leal e nos alunos Maria das Dores Ribeiro Noleto e Jardson Mendes de Carvalho, do curso de Psicologia do Centro Universitário Santo Agostinho, o interesse em compreender os processos subjetivos dos psicólogos que atuam nesse programa de assistência estudantil.

Por meio da pesquisa “Processos subjetivos da prática profissional de psicólogos em programas de assistência estudantil no ensino superior“, vinculada ao programa de iniciação científica do UNIFSA, a equipe teve como objetivo geral analisar os processos subjetivos de psicólogos em programas como o PNAES: “Nós nos propusemos a caracterizar a prática desenvolvida por esses profissionais , verificar como eles percebiam a sua formação acadêmica em relação à sua prática profissional de atuação no contexto do Ensino Superior e os sentidos subjetivos produzidos em relação a implementação da prática nesse cenário.  É uma pesquisa que emergiu de toda uma problemática que envolve a atuação de psicólogos na assistência estudantil no contexto das universidades públicas, conforme o PNAES”, explica o professor Carlos Eduardo.

A análise foi realizada através de entrevista semiestruturada, realizada com psicólogos que atuam em diferentes campus da Universidade Federal do Piauí e estão vinculados ao Programa Nacional de Assistência Estudantil. De acordo com o pesquisador Jardson Carvalho, a intenção do estudo foi investigar como esses profissionais subjetivam sua prática nesse contexto: “Um dos resultados encontrados diz respeito a fragilidade na formação dos psicólogos que atuam nessa área, pelo fato de durante a formação não terem tido suporte acadêmico, disciplinas, voltadas para a atuação em assistência estudantil. Então eles tiveram que aprender com a própria experiência ou por meio de especializações ou pesquisas na área. Também identificamos que esses profissionais se sentem sobrecarregados por congregar toda a assistência psicológica do campus, a demanda é muito grande”, pontua o estudante.

O professor Carlos Eduardo aponta que, em geral, os psicólogos assumem uma postura comprometida com as demandas do PNAES, são atuantes e comprometidos com os serviços oferecidos. No entanto, por se tratarem de atendimentos com estudantes em situação de vulnerabilidade social, ao tempo em que se alegram pelo feedback positivo de suas ações, também apresentam tristeza ao acompanhar as condições dos usuários do Programa. “Vimos processos subjetivos diversos, uma formação que não ampara plenamente para a atuação nesse contexto, vimos dificuldades no que diz respeito à questão dos recursos adequados, falta de pessoal. Mas também vimos profissionais que se identificam com a proposta e estão implicados com o processo de trabalho na assistência estudantil”, afirma.

Os dois alunos integrantes do Programa de Iniciação Científica do UNIFSA ressaltam a importância dessa experiência para suas trajetórias acadêmicas, sobretudo por se interessarem pela docência. “Eu acho muito interessante para o nosso crescimento profissional e pessoal. Quero seguir na área acadêmica, fazer mestrado, doutorado, e a pesquisa me dá subsídios para conseguir trilhar este caminho. Nós produzimos vários trabalhos científicos durante esse ano, publicamos nossas pesquisas e apresentamos trabalho em Congresso. Foi tudo muito gratificante”, finaliza Maria das Dores.



 
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