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PIBIC UNIFSA: Pesquisadoras analisam o abuso sexual infantil e a vivência da família


O abuso sexual infantil é um tema complexo e que abarca várias dimensões, sobretudo pelas implicações traumáticas que envolve. O abuso afeta aspectos do desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e adolescentes e pela sua grande incidência na sociedade, foi considerado grave problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que destacou a relevância de estudos que dediquem atenção a este problema em suas várias nuances. Nesse contexto, a professora Juliana Gomes da Silva Soares e as alunas do curso de Psicologia, Elaine Lima Marques de Sá e Maria Marcília de Sousa Santos, se preocuparam em estudar quais as estratégias psíquicas utilizadas pela família de crianças vítimas de abuso para ressignificar a experiência traumática, dentro do Programa de Iniciação Científica do UNIFSA.



De acordo com a professora Juliana Gomes, a princípio a pesquisa seria de campo, com o objetivo de abordar famílias que passaram pela vivência do abuso infantil com a finalidade de identificar seus mecanismos de enfrentamento. No entanto, ao longo da trajetória da pesquisa, a metodologia precisou ser alterada conforme a inviabilidade de acessar dados que permitissem contatar as famílias que seriam os sujeitos da pesquisa.



“Quando a pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética, nós tínhamos um campo de pesquisa que era o conselho tutelar. No entanto, quando fomos a campo mesmo, percebemos a desorganização e a dificuldade para acessar dados. Observamos que é um serviço precário, que não tem o básico que é um arquivamento, por exemplo. Como pensar em políticas públicas ou em estratégias se o acesso às informações é dificultado pela falta de organização? É um despreparo para acolher a criança, para encaminhá-la a um tratamento apropriado, isso indica descaso com um problema sério. Também é um dado da nossa pesquisa que essa criança não recebe suporte adequado e em nível macro isso repercute na família, na dificuldade que é lidar com essa circunstância. Tudo que passamos reforçou ainda mais a urgência em debater e refletir sobre esse tema”, esclarece a professora Ju





liana Gomes.



Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com interpretação psicanalítica de um artigo científico publicado em 2007, que contém quatro relatos de familiares de crianças/adolescentes que foram sexualmente abusados. Conforme as pesquisadoras, a pesquisa psicanalítica marca sua diferença em relação às demais abordagens por dois pontos principais: primeiro, porque ela não inclui em seus objetivos a necessidade de uma inferência generalizadora; segundo, porque suas estratégias de análise de resultados não trabalham com o signo, mas sim com o significante.



  As pesquisadoras apontam que um dos mecanismos de enfrentamento mais recorrentes encontrado na pesquisa dos casos foi o de ‘negação’. “As famílias não conseguiam absorver a gravidade por se tratar de um abuso, então acabavam sugerindo que a criança poderia estar fantasiando, confundindo a realidade. Identificamos nos relatos uma esperança de não ser verdade, pois afetaria todo o desenvolvimento familiar. Nesse ponto precisamos registrar que, em geral, os perpretadores são parentes ou amigos próximos da família”, pontua Maria Marcília .



A professora Juliana Gomes explica que o recurso de negação é muito comum para lidar com o sofrimento, servindo até mesmo como uma regulação para a saúde mental do sujeito em meio a uma situação dolorosa. Mas quando esse mecanismo se prolonga, ele acaba afastando o sujeito da realidade, trazendo dificuldades para lidar e ressignificar o problema. Outro ponto que gera debate para as pesquisadoras é o de que negar ou desqualificar o relato da criança como fantasioso, acarreta uma perda do canal de comunicação da criança com a família, uma vez que ela não encontra segurança naquele grupo para desabafar.



Elaine Lima finaliza ressaltando que participar do Programa de Iniciação Científica do UNIFSA foi muito importante para a sua trajetória acadêmica. “Foi um aprendizado a mais porque nas aulas a gente vê aquela coisa mais teórica, mais geral. No PIBIC, a gente aprofunda mais, vê trabalhos extraclasse, vai a campo, vê a vida como ela é. Esse já é meu terceiro ano, foram três que me proporcionaram estudar diferentes temas dentro da Psicologia”, finaliza.



 
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